Será Que Vamos Conseguir Vencer ?

 

 

Lá pelos meus dezesseis anos, em 1991, ouvi pela primeira vez a palavra “indie”. Primeiro li na clássica revista “Bizz” sobre a parada independente inglesa que corria em paralelo à parada de sucessos das rádios inglesas. E logo depois surgiram as bandas inglesas como Primal Scream, Happy Mondays e Charlatans. Era um “indie dance”. Canções de apelo pop feitas por bandas independentes (dai o indie) inglesas que misturava psicodelia e riffs 60’s às raves de Manchester.

Era todo um universo de bandas como Jesus Jones, Soup Dragons, Inspiral Carpets, The Farm, todas contemporâneas aos shoegazers, seus primos mais barulhentos e que transitavam do onírico (My Bloody Valentine) ao melancólico (Ride). Eram tempos de inocência para quem curtia som no Brasil.

Vivíamos ainda o eco do som dos anos 80.  O pós-punk, new wave e punk rock ainda ditavam as regras. E nas paradas o glam-metal (de Poison, Skid Row e Bon Jovi) infestava rádios , programas de vídeo clipe (a MTv só iniciaria atividades em 1990) e em festivais como Hollywood Rock.

Foram tempos de ir na Galeria do Rock. Tudo era muito novo. Comprei meu primeiro LP do Motorhead, Exploited, The Clash. E ao contrário da tendência do período que era a briga entre punks e metaleiros sempre gostei de ambos. Tinha fitas cassete que dividiam espaço entre Slayer e Ramones, entre Metallica e The Clash. Nunca tive isso de tribo – ainda bem.

Ouvir Fugazi no antigo Lado B Mtv era a coisa mais in para um jovem de 20 anos.

Nos anos noventa tudo que dominava a mídia era o grunge e o britpop e isso é outra história que contarei em outro post.

Ai veio 2001. E juntamente com o 11 de Setembro veio o primeiro álbum dos Strokes.

Hoje passados 16 anos o grupo ainda tenta repetir o sucesso do primeiro álbum. Mas para mim “Is This It” é um marco. Após ele surgiriam os Hives, Doves, White Stripes, The Rapture, Killers. Bandas que transitavam de um novo pós-punk até ecos de new wave e charme oitentista (o Killers é  prova disso).

Hoje o indie está bem diluido. É quase um pastiche de pop com roupagem alternativa. A qualidade deu lugar a vocalistas bonitas, roupas fashion e atitude blasé. E estamos num momento em que cada vez mais o rock deixa as paradas e a atenção da mídia.

Vinte anos atrás achava que nada poderia nos deter.

Hoje imagino até quando a música de qualidade aguentará e tempos tão deprimentos de atitude e musicalidade.

 

Andy

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s