Ir na Galeria

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A primeira vez que fui na Galeria do Rock foi em 1987.

Um amigo tinha ido antes. Comprou “Rank” e “Louder Than Bombs” dos Smiths mas naquela outra galeria ao lado mais voltada a black music e onde fica a já classica loja “London Calling”.

Eu fui para conhecer pois tudo era novo para mim.Eram tempos ruins de brigas entre punks e headbangers.

A primeira loja que entrei foi a loja do Fabião do Olho Seco. Figura clássica do underground paulistano Fabião tinha sua loja de punk rock e hardcore. Lá vi os clássicos “Ataque Sonoro” e “Sub” em vinil, hoje raríssimos e o primeiro LP de uma banda punk lançado na América Latina “Crucificados Pelo Sistema” dos Ratos de Porão.

Ao contrário do que acontecia em São Paulo onde várias facções de estilos diferentes brigavam entre si por território e ideologia na zona leste , de onde sempre morei, pelo menos em meu bairro, era muito diferente. Gravávamos K7 com lados A de punk e lados B de metal. Não tínhamos isso.

Slayer e Ramones, Sepultura e Exploited. Tudo era legal.

Para meus amigos também acontecia algo mais estranho. Não tínhamos tribo. Eramos “roqueiros” para a turma do colégio. Mas era algo genérico. Nunca fui gótico (ou “dark” como era o apelido na ZL) ou metaleiro ou punk.

Lembro que o primeiro disco que vi na loja do Fabião foi “Orgasmatron” do Motorhead.

Naquele dia curiosamente comprei “Dead Man’s Party” do Oingo Boingo e “Kill ‘Em All” do Metallica. Andar pela Galeria, moleque de tudo, ver os punks, as lojas de vinil com tantas coisas legais (e pouco dinheiro para comprar, claro) era muito divertido.

Na volta comprei um salgadinho qualquer e uma coca. Andei até o Parque Dom Pedro para pegar o ônibus para casa.

E por anos pelo menos duas vezes por mês a diversão era ir na Galeria ver discos. Parece idiota em tempos de internet onde podemos ouvir e baixar qualquer coisa. Mas naquele tempo o prazer era fuçar as prateleiras, conhecer sons (logo depois também com a MTV) e observar o mundo pelos corredores da Galeria.

Hoje sei que ainda jovens vão lá fazer os “rolês” e espero que isso nunca acabe .

Andy

 

End Of The Road #2

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Uma mixtape sobre saudade…

01- Ed Vedder – End Of The Road
02- Emilie Simon – Fleur de Saison
03- Frou Frou – Hear Me Out
04- Snow Patrol – Open Your Eyes
05- Suzanne Vega – Book of Dreams
06- Yo La Tengo – My Little Corner Of The World
07- Nina Gordon – Too Slow To Ride
08- The Postal Service – Recycled Air
09- The Evens – Around The Corner
10- Mutton Birds – Come Around
11- Ivy – Streets of Your Town
12- Echo & The Bunnymen – Stormy Weather
13- Jorge Mautner & Caetano Veloso – Todo Errado
14- Jonny Two Bags – Then You Stand Alone
15- Huey Lewis & The News – Heart & Soul
16- Cure – Inbetween Days
17- Paul McCartney – Vanilla Sky

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Cocteau Twins | An Ethereal Mixtape

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Fiz esta mixtape para minha amiga Indra Barrios .

Esta é uma compilação dos escoceses do Cocteau Twins da grande vocalista Elizabeth Fraser. O grupo surgiu em meio ao movimento pós-punk/gótico e inicialmente soava como seus contemporâneos com uma mistura de batidas eletrônicas e guitarras e vocais etéreos. Gradativamente o grupo abandonou as texturas mais sombrias e foi adotando elementos mais pop que culminaram em seu trabalho mais famoso Heaven or Las Vegas de 1990.
A partir dai o grupo foi tornando seu som cada vez mais etéreo e experimental até terminar em 1998. Esta coletânea engloba seus nove albuns de estúdio e a compilação ao vivo “BBC Sessions”. Enjoy !

01- Iceblink Luck
02- Garlands
03- Little Spacey
04- Lorelei
05- She Will Destroy You
06- My Love Paramour
07- Evangeline
08- Blue Bell Knoll
09- Wax & Wane
10- Violaine
11- Cherry-Coloured Funk
12- Heaven or Las Vegas
13- Amelia
14- The Hollow Men
15- Why Do You Love Me

https://yadi.sk/d/6Df0Lvhh3LbgFy

Suede | Mixtape #1

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O Suede se formou na virada dos anos 80 para os 90 em Londres na Inglaterra.

Curiosamente Justine Frischmann (do Elastica) membro na formação inicial do grupo de Brett Anderson.

Conheci o grupo numa matéria da revista Bizz. Falava de “bandas novas” e entre elas lembro do Lemonheads e do Suede. Ambos vingaram.

Anterior aos rótulos de “britpop” o grupo aliava elementos oitentistas de grupos como The Smiths e Style Council , do glam rock de David Bowie e T.Rex e nuances eletrônicas ( a partir do álbum “Head Music” de 1999).

Brett Anderson era um ídolo adolescente e apesar do ótimo álbum de estréia auto-intitulado “Suede” (1983) o grupo era visto com certa restrição por parte da imprensa inglesa que temia ser mais uma daquelas bandas que iam e vinham pelas paradas sumindo logo em seguida. Deste período explodiram “The Drowners”, “So Young” e “Animal Nitrate” que tocou em rádios mais comerciais até no Brasil.

“Dog Man Star” de 1994 marcou a ruptura do grupo com o guitarrista Bernard Butler e traz um som mais rebuscado, repleto de camadas de cordas e teclados e tem o lindo hit “Wild Ones” como seu ponto alto. Mesmo assim foi duramente criticado pelos excessos sonoros.

Quando “Coming Up” surgiu em 1996 com o novo guitarrista Richard Oakes a princípio vi com certa reserva. O capa mais colorida indicava a forte influência do glam no disco. Mas até hoje é meu álbum favorito do grupo. Abandonando o lado mais rebuscado “Coming Up” traz um som mais colorido (para os padrões do Suede, claro) nos hits “Beautiful Ones”, “Trash” e “Filmstar”. “Lazy”, “She” e “Starcrazy” acentuam a presença do glam rock. E as belas baladas “By The Sea”, a lindíssima “Saturday Night” (minha música favorita do grupo), “Chemical Between Us” e “Picninc by The Motorway”  povoam o grande salto de qualidade do grupo.

“Head Music” apesar de não ter feito o mesmo sucesso continua os acertos de “Coming Up” alternando entre baladas como “Everything Will Flow” e “She’s In Fashion” com canções mais dançantes/eletrônicas como “Can’t Get Enough”. Alías os efeitos eletrônicos povoam o disco (primeira vez que experimentavam tais sonoridades).

Após o irregular “A New Morning” o grupo iniciou um hiato de onde anos até o seguinte “Bloodsports”. O período de pausa foi muito bom pois tanto este trabalho quanto o seguinte “Night Thoughts” (2016) são ótimos álbuns. Alguns bons álbuns ao vivo também foram lançados neste intervalo criativo. Destaco também “Sci-fi Lullabies” de 1997. Uma compilação de lados B com músicas que nada devem aos discos oficiais do Suede – destaques para “Darkstar”, “The Sound of Streets” e “Bigtime” uma das melhores canções de amor já feitas.

Esta mixtape engloba todos os álbuns de estúdio do grupo além de um ao vivo e “Sci-Fi Lullabies”. ENJOY !!!

Membros:

  • Brett Anderson – vocals (1989–2003; 2010–present)
  • Richard Oakes – lead & rhythm guitar (1994–2003; 2010–present)
  • Neil Codling – keyboards, piano, rhythm guitar (1994–2001; 2010–present)
  • Mat Osman – bass (1989–2003; 2010–present)
  • Simon Gilbert – drums (1991–2003; 2010–present)

Website:  http://www.suede.co.uk/

01- Outsiders [From Night Thoughts]
02- Hit Me [From Bloodsports]
03- The Drowners [From Suede]
04- My Insatiable One [From Suede]
05- Trash [From Coming Up]
06- My Dark Star [Sci-Fi Lullabies]
07- Everything Will Flow [From Head Music]
08- Animal Nitrate [From Suede]
09- Beautiful Ones [From Coming Up]
10- Electricity [From Head Music]
11- Can’t Get Enough [From Head Music]
12- Wild Ones [From Dog Man Star]
13- The Sound of Streets [From Sci-Fi Lullabies]
14- She’s In Fashion [From Head Music]
15- One Hit To The Body [From A New Morning]
16- So Young [From Live at The Royal Albert Hall]
17- Europe is Our Playground {From Sci-Fi Lullabies]
18- Stay Together [From Stay Together EP]
19- Lonely Girls [From A New Morning B-Side]
20- For The Strangers [From Bloodsports]
21- Saturday Night [From Coming Up]

Mixtape aqui

 

Bjork Mixtape

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Conheci Bjork na revista Bizz no final dos anos oitenta. Ela ainda era do Sugarcubes, banda islandesa de rock . Ela abandonara as sonoridades punk/pós-punk de seus grupos anteriores e com o Sugarcubes iniciou o experimentalismo que culminou com sua carreira solo iniciada com o álbum “Debut” de 1993 (ainda com resquícios da então dance music do período mas que já incluia as maluquices sonoras posteriores).

Após “Post” de 1995 ela começa a cada vez mais cair de cabeça na eletrônica de vanguarda, nas influências jazz (e até de música brasileira) , no folclore islândes e na arte experimental. “Homogenic” talvez seja seu maior sucesso comercial (sempre auxiliado pelo excelentes vídeoclipes de diretores como Michel Gondry, Spike Jonze e Chris Cunningham) e talvez o último trabalho mais “comercial”.

Esta mixtape engloba todos os seus álbuns de estúdio.

 

01- Gling Gló
02- Venus as a Boy
03- Hyperballad
04- All is Full of Love
05- Bachelorette
06- Declare Independence
07- Thunderbolt
08- Oceania
09- Aurora
10- Army of Me
11- Big Time Sensuality
12- New World
13- Isobel
14- Hunter
15- Human Behaviour
16- Atom Dance
17- All Neon Like

 

 

Wednesday Winter Mixtape Vol1 19/07/2017

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“Agora é inverno
e no mundo uma só cor;
o som do vento” – Matsuo Basho

Outra cidade acorda na névoa do inverno. Pessoas surgem por janelas, fumaça de café, movimentos lentos. Os rosto cobertos por lenços das mais diversas cores. É uma espécie de câmera lenta que anestesia a todos, numa velocidade reduzida, como se o vento e a névoa a todos abraçassem como numa canção de ninar sem fim.

01- Pavement – Cut Your Hair
02- The Posies – Throwaway
03- R.E.M. – Ignoreland
04- Ryan Adams – – All You Had to Do Was Stay
05- The Shins – New Slang
06- The Rifles – The Great Escape
07- The Undertones – Teenage Kicks
08- Velocity Girl – Sorry Again
09- Moby – Thats When I Reach For My Revolver
10- Manic Street Preachers – The Love of Richard Nixon
11- The Lemonheads – It’s a Shame About Ray
12- Keane – Love is Losing
13- JET (band) – Look What You’ve Done
14- Buffalo Tom – Souvenir
15- Bob Mould – Egoverride
16- Doves – Pounding
17- GARAGE FUZZ. – Embedded Needs
18- Garbage – Why Do You Love Me?
19- Morrissey – Irish Blood, English Heart

Ouça Aqui

 

 

The Smiths

Por Andy Nakamura

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Conheci os Smiths na Transamérica FM de São Paulo (numa fase onde a rádio, hoje basicamente de hits pop) tinha momentos de pop 80’s e até algumas coisas mais alternativas – como Stone Roses e Big Audi Dynamite que ouvi pela primeira vez nesta rádio. Era um ‘mini-especial’ deles com “This Charming Man”, “The Boy With The Thorn in His Side” e “Panic”. Gostei muito. Pouco tempo um amigo comprou na Galeria do Rock a coletânea “Louder Than Bombs” (aquela vermelha com a garota fumando na capa).

Conhecer os Smiths é ser mergulhado no mundo de Morrissey e Johnny Marr , respectivamente o vocalista e principal letrista e o guitarrista mais icônico dos anos oitenta ao lado de The Edge do U2. As letras remetiam à desilusão de ser jovem na Manchester do final dos anos 70 e começo dos 80. A pobreza, o corte dos benefícios sociais no governo de Margareth Tatcher (então Primeira Ministra Britânica), a tristeza e falta de perspectivas numa cidade industrial e decadente, tudo era o imaginário de Morrissey. Aliado a isso havia o som do grupo, uma mescla de pós-punk inglês com influências sessentistas e de folk e até do inocente pop inglês 60’s.

Juntos a Mike Joyce (bateria) e Andy Rourke (baixo) o grupo teve uma vida curta (82 até 87) mas produzia belas canções. Das incertezas da juventude em “This Charming” passando pela ironia de “Shoplifters of The World Unite” e mergulhando na melancolia existencialista em “How Soon is Now” o grupo teve recepção que transitava entre fria e complacente da crítica musical inglesa. O grupo que usava um nome básico (como se fossem “Os Silvas” em português) não gostava de clipes e dava poucas entrevistas.

São apenas 4 discos oficiais e várias coletâneas e um álbum ao vivo.

Em minha juventude grava fitas K7 para ouvi-las enquanto estava no ônibus ou metrô. E especificamente na juventude nos sentimos como Morrissey em algum momento, perdidos em nossas decepções, sonhando por amores inexistentes…

“The Queen Is Dead” de 1985 é meu favorito. “I Know it’s Over” é uma das baladas mais tristes do mundo. “Some Girls Are Bigger Than Others” mostram todo o talento de Johnny Marr na guitarra. “The Boy With The Thorn in His Side” é um hino oitentista. “Cemetry Gates” é um bela homenagem ao escritor britânico Oscar Wilde. “Never had no one ever” é outra linda balada que faz cama para as guitarras de Marr. “Frankly, Mr. Shankly” ironiza de forma alegre o dono do selo do grupo, Geoff travis, A faixa título é uma ácida crítica à monarquia inglesa.

E “There’s a Light That Never Goes Out” é a canção máxima do grupo. Coverizada por dezenas de bandas de estilos mais variados. A letra fala de um passeio noturno com a pessoa amada onde nem a morte pode quebrar aquela felicidade.

O The Clash tem o apelido de “a única banda que importa” e não discordo. Mas o termo deveria ser “as únicas bandas que importam” e incluir a trupe de Morrissey e Marr.

 

Mixtape The Smiths & Morrissey | Mozztape #1

01- Suedehead (*)
02- How Soon is Now
03- Some Girls Big Than Others
04- Girl Afraid
05- Is It Really So Strange?
06- Shoplifters Of The World Unite
07- Ask
08- Heaven Knows I’m Miserable Now
09- Jeane
10- This Charming Man
11- Please Please Please Let Me Get
12- Girlfriend in a Coma
13- Sheila Take a Bow
14- Panic
15- Bigmouth Strikes Again
16- The Boy With The Thorn in His Side
17- There’s a Light That Never Goes Out
18- I Know It’s Over
19- Everyday Is Like Sunday (*)
20- Let The Right One Slip In (*)
21- At Amber (*)
22- Alma Matters (*)
23- Now My Heart is Full (*)
24- Hold On To Your Friends (*)
25- Boyracer(*)

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Será Que Vamos Conseguir Vencer ?

 

 

Lá pelos meus dezesseis anos, em 1991, ouvi pela primeira vez a palavra “indie”. Primeiro li na clássica revista “Bizz” sobre a parada independente inglesa que corria em paralelo à parada de sucessos das rádios inglesas. E logo depois surgiram as bandas inglesas como Primal Scream, Happy Mondays e Charlatans. Era um “indie dance”. Canções de apelo pop feitas por bandas independentes (dai o indie) inglesas que misturava psicodelia e riffs 60’s às raves de Manchester.

Era todo um universo de bandas como Jesus Jones, Soup Dragons, Inspiral Carpets, The Farm, todas contemporâneas aos shoegazers, seus primos mais barulhentos e que transitavam do onírico (My Bloody Valentine) ao melancólico (Ride). Eram tempos de inocência para quem curtia som no Brasil.

Vivíamos ainda o eco do som dos anos 80.  O pós-punk, new wave e punk rock ainda ditavam as regras. E nas paradas o glam-metal (de Poison, Skid Row e Bon Jovi) infestava rádios , programas de vídeo clipe (a MTv só iniciaria atividades em 1990) e em festivais como Hollywood Rock.

Foram tempos de ir na Galeria do Rock. Tudo era muito novo. Comprei meu primeiro LP do Motorhead, Exploited, The Clash. E ao contrário da tendência do período que era a briga entre punks e metaleiros sempre gostei de ambos. Tinha fitas cassete que dividiam espaço entre Slayer e Ramones, entre Metallica e The Clash. Nunca tive isso de tribo – ainda bem.

Ouvir Fugazi no antigo Lado B Mtv era a coisa mais in para um jovem de 20 anos.

Nos anos noventa tudo que dominava a mídia era o grunge e o britpop e isso é outra história que contarei em outro post.

Ai veio 2001. E juntamente com o 11 de Setembro veio o primeiro álbum dos Strokes.

Hoje passados 16 anos o grupo ainda tenta repetir o sucesso do primeiro álbum. Mas para mim “Is This It” é um marco. Após ele surgiriam os Hives, Doves, White Stripes, The Rapture, Killers. Bandas que transitavam de um novo pós-punk até ecos de new wave e charme oitentista (o Killers é  prova disso).

Hoje o indie está bem diluido. É quase um pastiche de pop com roupagem alternativa. A qualidade deu lugar a vocalistas bonitas, roupas fashion e atitude blasé. E estamos num momento em que cada vez mais o rock deixa as paradas e a atenção da mídia.

Vinte anos atrás achava que nada poderia nos deter.

Hoje imagino até quando a música de qualidade aguentará e tempos tão deprimentos de atitude e musicalidade.

 

Andy

 

 

 

Ok Computer | Vinte Anos

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Vinte anos anos atrás este que vos escreve tinha 22 anos.

Época estranha, de transição, escolhas, emprego, responsabilidades, tensão.

Era um ano de grandes discos. “Urban Hymns” do The Verve, “Fat of The Land” do Prodigy, “Dig Your Own Hole” do Chemical Brothers, “The Colour And The Shape” do Foo Fighters , “Ultra” do Depeche Mode entre outros grandes discos.

O Radiohead era uma banda inglesa cujo primeiro álbum , “Pablo Honey”, tinha ecos do rock alternativo americano dos anos 90 (cortesia de Sean Slade e Paul Kolderie, produtores de Dinosaur Jr e Buffalo Tom) e no segundo trabalho , “The Bends”, o grupo assimilou o então emergente britpop. Mesmo assim o grupo não se encaixava nesse rótulo. Suas letras falavam de metáforas complexas, poemas por vezes enigmáticos e o som transitava do ruído alto ao dedilhado melancólico.

Veio então o terceiro trabalho. Produzido por Nigel Godrich (que havia produzido o belo “Carnival of Light” do Ride) “OK Computer” narrava de forma assustadora os medos do futuro tecnológico. A desilusão de um mundo que não conseguiu corrigir seus problemas e de como seríamos dragados pela tecnologia como escravos permeiam o disco.

Tudo começa com os loops desconexos de “Airbag”, passeia pela indecifrável “Paranoid Android”, caminha pelas climáticas ” Subterranean Homesick Alien” e “Exit Music (For a Film)” e desenha um filme experimental. “Let Down” representa o final do século e todos os medos que isso trazia. “Karma Police” era um outro enigma poético. “Fitter Happier” soa quase como uma vinheta cibernética.  Mais energética “Electioneering” é o mais próximo que a banda chegaria ao som inicial do grupo. “Climbing Up The Walls” prevê o radicalismo sonoro do seguinte álbum “Kid A”, “No Surprises” é minha favorita do cd. A síntese de toda a melancolia presente nas letras de Thom Yorke deitada numa cama de efeitos e acordes. “Lucky” já fora vista em outras coletâneas e é a mais fraca do trabalho e “The Tourist” encerra “OK Computer” e a música inglesa do século XX com guitarras inundando nossos ouvidos com medo e desesperança.

Nada mais seria como antes.

E viver para conhecer um clássico sendo executado diante de nossos olhos foi um privilégio. Poucos trabalhos posteriores de qualquer banda conseguiriam ter o mesmo poder da trupe do Radiohead.

Em comemoração aos vinte anos do álbum uma edição de luxo com várias bonus tracks e algumas faixas inéditas será lançado, para nosso deleite.

1. “Airbag” 4:45
2. Paranoid Android 6:25
3. “Subterranean Homesick Alien” 4:26
4. “Exit Music (For a Film)” 4:26
5. “Let Down” 4:58
6. Karma Police 4:22
7. “Fitter Happier” 1:56
8. “Electioneering” 3:49
9. “Climbing Up the Walls” 4:44
10. No Surprises 3:51
11. “Lucky” 4:16
12. “The Tourist”

Lançado em 21 de maio de 1997.

Ouça Aqui

Samba-Jazz | Por Murilo C.Martins

          Ao final dos anos 50, a atenção do mundo estava voltada para o nascente movimento musical que surgia em território brasileiro, mais precisamente no Rio de Janeiro. A bossa-nova de Tom, Vinicius e João Gilberto vinha trazendo novos ares as manifestações culturais do país e levava o nome das terras cariocas ao conhecimento de consagrados músicos e musicistas ao redor do mundo.

          O minimalismo de balanço suave e estrutura jazzística, embalado pelas percepções de vida, amor e relações da elite branca carioca, encantaram nomes como Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Sarah Vaughan e o emblemático Stan Getz, que com seu fascínio encabeçou um dos mais importantes registros da bossa-nova ao lado de João Gilberto.

          Da mesma forma que os standards dos grandes nomes do jazz americano chegaram aos músicos brasileiros, os artistas mais instigados e revolucionários também tiveram seus registros circulando pelos ouvidos dos jovens artistas nacionais da década de 60. O free jazz de Coltrane, o bebop de Charlie “Bird” Parker e Dizzy Gillespie e a inventividade dos jovens jazzistas, que vinham cansados da estagnação musical da cena americana, influenciaram grandes instrumentistas daqui que se viam igualmente cansados com a estrutura “joãogilbertiana” da bossa-nova que seguia mais do mesmo, alicerçada na ideia de “um banquinho, um violão”.

          Os instrumentistas nacionais queriam experimentar, improvisar, deixar fluir todo seu virtuosismo e técnica na hora de reproduzir a música, necessidades essas que a cena atual fervilhante da cidade até então não iria permitir. Era hora de reinventar a musicalidade. Tendo o Rio como palco pra estreia da nova cara da música instrumental brasileira, surge o movimento intitulado “samba-jazz”. A ideia agora não era mais a sutileza e sentimentalismo de uma canção serena, mas sim a explosão de instrumentos em sessions desconcertantes de grandes músicos, a fim de soltar tudo o que podiam em seus instrumentos.

          Nomes como o de Miele e Boscoli foram fundamentais para a ascensão do movimento, investindo em jovens artistas e arrumando locais para que tocassem, locais esses que mais tarde viriam a se tornar os emblemáticos “Boite Baccarat” e “Bottles Bar” no Beco das Garrafas, uma travessa localizada no centro Rio de Janeiro. As noites do Beco eram tão absurdas e moviam tantos jovens para os bares que o nome “das Garrafas” foi anexado devido as garrafas que voavam de cima dos prédios, arremessadas dos apartamentos de pessoas cansadas do que o novo acontecimento da música estava movendo.

          As ruas da travessa viviam lotadas para apreciação de shows em que, num mesmo palco, eram possível assistir nomes como: Dom Um Romão, Dom Salvador, Elis Regina, Leny Andrade, Pery Ribeiro, João Donato, J. T. Meirelles e muitos outros. Junto a artistas ainda tão jovens, mesmo já deixando clara a importância que teriam para a música brasileira, surgiram também os trios responsáveis pela experimentação instrumental que seria o principal aspecto do samba-jazz. Com um contrabaixo, uma bateria e um piano, grupos como Jongo Trio, Zimbo Trio, Bossa 3, Som Três, Milton Banana Trio, Dom Salvador Trio e Tema 3D, apenas para citar alguns, desenvolviam jams intermináveis de uma potência jazzística nunca antes vista nesse país.

          Como descrito por João Donato, artista que transitou por ambos movimentos no Rio de Janeiro: “Nós, que passamos muito tempo acompanhando músicos e cantores, não tínhamos muita liberdade para improvisar. E o samba improvisado acaba sendo uma forma de desafogo, de escapar da burocracia musical”. O movimento também serviu para que certos artistas estrondosos demonstrassem seu talento e se tornassem expoentes da música instrumental brasileira, bem como Edison Machado, tido até hoje como um dos grandes bateristas brasileiros de todos os tempos, dono do registro É Samba Novo (1960), o mais importante e que mais sintetiza a capacidade do samba-jazz.

Com a força destruidora do funk de James Brown que veio surgindo na década de 70, alguns destes nomes do movimento começaram a pender para a vertente e construir novas propostas, deixando o samba-jazz aos poucos cair no esquecimento. Hoje é possível ver o estilo ser resgatado por grandes DJs do cenário nacional e mundial nas pistas de todo o mundo, simbolizando bem o quanto o movimento é atemporal e segue sendo influente para os apaixonados pela pesquisa musical.

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Letreiros dos bares “Boite Baccara” e “Bottle’s Bar” na Rua Duvivier ou Beco das Garrafas

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Murilo C. Martins, colaborador do Playlist of Death

 

At The Drive-In – Relationship of Command [2000]

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Todo o estilo musical passa por um período de estagnação.

Seja no jazz ou no pop a repetição e insistência em velhas fórmulas tende a causar um marasmo que por vezes pode decretar o fim de determinados estilos.

O hardcore não é muito diferente disso. Nos anos noventa o hardcore melódico da Califórnia e os grupos metal-crossover do punk novaiorquino criaram dezenas de grupos, dos mais criativos ao mais lugar comum e o final da década parecia criar um vazio criativo difícil de ser corrigido.

Eram tempos iniciais da internet e do mp3, os estragos nas vendas já se anunciavam e o mercado iria se retrair – muitos selos e gravadoreas foram aniquilados . Isso foi péssimo para a criatividade pois cada vez mais os grupos pouco arriscam.

Vindos de El Paso no Texas os membros do At The Drive-In já haviam lançado eps e álbuns excelentes. Mas em 2000 “Relationship of Command” se tornou um divisor de águas. Reunindo fragmentos de Fugazi, Bad Brains e demais grupos politizados o ATDI agregou ao seu som elementos eletrônicos, ruídos e riffs mais pesados sem esquecer da pegada melódica.

As apresentações ao vivo da banda eram uma atração à parte. Furiosas e intensas eram quase sempre seguidas de destruição de equipamentos no palco.

Ross Robinson (produtor do Korn e de “Roots” do Sepultura) soube dosar a equação ruído + melodia. Isso é nítido em canções como “Catacombs” e “Cosmonaut”. Os experimentos eletrônicos se notam presentes em “Enfilade” (uma das melhores do disco) e “Sleepwalk Capsules”. E a energia do grupo permanece intacta em “One Arm Scissor” (grande hit do grupo), “Arcarsenal”, “Rolodex Propaganda” e “Pattern Against User”.

Após “Relationship of Command” várias bandas usaram dessa sonoridade. Curiosamente o grupo se separou após a turnê do álbum e só retornaram em 2017.

  1. “Arcarsenal” – 2:55
  2. “Pattern Against User” – 3:17
  3. “One Armed Scissor” – 4:19
  4. “Sleepwalk Capsules” – 3:27
  5. “Invalid Litter Dept.” – 6:05
  6. “Mannequin Republic” – 3:02
  7. “Enfilade” – 5:01
  8. “Rolodex Propaganda” – 2:55
  9. “Quarantined” – 5:24
  10. “Cosmonaut” – 3:23
  11. “Non-Zero Possibility” – 5:36
  12. “Catacombs” – 4:14

 

 

Geek Mixtape #1

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Nesta semana temos uma mixtape com o tema nerd/geek. Temas instrumentais clássicos de filmes e séries de TV – além de temas inspirados e heróis de HQs e cinema. Link após a tracklist.

01- Breaking Bad Intro Music
02- Sia – To Be Human [From Wonder Woman]
03- Jim’s Big Ego – Barry Allen Ballad [for The Flash]
04- Rhythm Heritage – Theme From S.W.A.T.
05- Moby – Extreme Ways [From Bourne’s Legacy]
06- Hans Zimmer – Is She With You? [From Batman V Superman]
07- John Williams – Superman Theme [From Superman ’77]
08- Juno Reactor Vs Don Davis – Burly Brawl [From Matrix Reloaded]
09- Doctor Who Theme
10- Hans Zimmer – Molossus [From Batman Begins]
11- Soundgarden – Live to Rise [From The Avengers]
12- R.E.M. – Superman
13- Led Zeppelin – Immigrant Song [From Thor Ragnarok]
14- Geinoh Yamashiro – Exodus From The Underground [From Akira]
15- John Williams – Imperial March (Edit) [From Star Wars]
16- Bill Conti – Gonna Fly (Remix) [From Rocky Balboa]
17- Skrillex and Rick Ross – Purple Lamborghini [From Suicide Squad]
18- Survive – Stranger Things Theme
19- Hotei Tomoyasu – Battle Without Honor or Humanity [From Kill Bill Vol1]
20- The Dust Brothers – X-Files Theme [From X-Files : Fight The Future]
21- Primal Scream – Trainspotting [From Trainspotting]

 

Link